ACONSELHAMENTO
Antibióticos Antibióticos

Os antibióticos são substâncias com capacidade de matar (bactericida) ou inibir o crescimento (bacteriostático) de outros microorganismos.

O seu aparecimento permitiu a cura de várias doenças antes incuráveis.


Perigos


O uso abusivo de antibióticos é uma das principais causas para o aumento da resistência bacteriana, um dos maiores perigos de saúde pública.


A tuberculose, a gonorreia, a malária e as infecções de ouvidos em crianças são apenas algumas das doenças que se tornaram mais difíceis de combater através do uso de antibióticos.


Os antibióticos são substâncias com capacidade de matar (bactericida) ou inibir o crescimento (bacteriostática) de bactérias. Assim, são apenas eficazes contra infecções provocadas por bactérias pelo que não "funcionam" contra infecções provocadas por vírus.


O seu aparecimento foi muito importante pois permitiu a cura de um grande número de doenças antes dificilmente tratáveis.

A enorme capacidade de adaptação das bactérias e de outros microorganismos, capazes de desenvolver mecanismos de resistência a medicamentos destinados a matá-los ou enfraquecê-los, é parte do problema emergente.


Alguns Factos:


  • 70% das bactérias responsáveis por infecções hospitalares são resistentes a pelo menos um dos antibióticos mais usados para tratar infecções.
  • Alguns microorganismos já são resistentes a todos os antibióticos aprovados e precisam de ser eliminados com medicamentos experimentais e potencialmente tóxicos.
  • Se não detectarmos as resistências a antibióticos à medida que emergem e não tomarmos medidas para os conter, o mundo poderá novamente deparar-se com doenças, antes de fácil tratamento, agora intratáveis, como o eram antes da vinda dos antibióticos.
  • A resistência a antibióticos é devida em grande parte ao aumento do consumo indevido de antibióticos.

O Sistema Imunitário e o Antibiótico


O nosso sistema imunitário (a nossa defesa) colabora em grande parte para o sucesso dos antibióticos. Ou seja, na maior parte dos casos o antibiótico apenas ajuda o corpo a defender-se das bactérias que o atacam, sendo que, em muitos outros, o corpo é perfeitamente capaz de por si só controlar a infecção.


Já vos aconteceu ouvir alguém comentar que só precisa de uns quantos comprimidos para se curar e não da caixa toda? Para um antibiótico ter um efeito significativo contra a infecção é necessário que chegue em quantidade suficiente ao sangue e que depois esta se mantenha durante um certo período de tempo. Para se atingir esta quantidade ideal é imprescindível que o tratamento seja seguido rigorosamente, ou seja, que se tome o medicamento sempre à hora certa e na quantidade certa.


Quando não se segue o horário de toma do antibiótico ou simplesmente não se conclui o tratamento (por exemplo, tomando-se apenas 4-6 comprimidos dos 16) o antibiótico simplesmente não é eficaz. As despesas de defesa ficarão todas por conta do nosso sistema imunitário, que poderá ou não conseguir lidar com a infecção.


Se considerarmos ainda que existem outros microorganismos, como por exemplo os vírus, que não são afectados minimamente por antibióticos,  o uso destes medicamentos revela-se não só desnecessário como também perigoso.


Podemos criar bactérias resistentes ou favorecer o aparecimento de infecções por bactérias resistentes, fungos ou outras infecções (conhecidas como infecções oportunistas) quando se toma um antibiótico inadequado.


Cerca de 75% dos antibióticos prescritos anualmente são para infecções das vias respiratórias superiores. Cerca de 90% das infecções das vias aéreas superiores não são devidas a bactérias.

"Arma Mágica"


Os antibióticos causaram um grande impacto em muita gente desde a sua origem e actualmente pensa-se no antibiótico como uma arma mágica.


Uma arma mágica capaz de parar com todo o sofrimento sem provocar efeitos secundários de maior. É por isto que com frequência se pede e inclusive exige o uso de antibióticos. Chega-se à situação de se procurar várias opiniões até encontrar um médico que receite o antibiótico tão esperado e pedido. Também não é raro que estas pessoas não apenas peçam como no final decidam, independentemente do que o médico lhes possa dizer, como e quando tomar pensando que é "tão fácil curar".


Nunca se deve autoreceitar nem sugerir a tomada do antibiótico!


Seria melhor questionar o uso do antibiótico para que o médico faça uma selecção o mais adequada possível com o apoio total do doente!


A selecção de um antibiótico é UNICAMENTE RESPONSABILIDADE DO MÉDICO e deve-se basear no quadro clínico e exames de laboratório e gabinete que se realizem ao doente.



A selecção dos mais fortes


O processo de selecção é relativamente simples:

  • Quando um antibiótico ataca um grupo de bactérias, as que são altamente susceptíveis ao medicamento morrerão.
  • Contudo, as bactérias que já têm alguma resistência ao antibiótico ou que a adquirem mais tarde (através de mutações ou transferência de genes), poderão sobreviver (especialmente se se der antibiótico em quantidade inferior à necessária para "derrotar" as bactérias presentes).
  • As bactérias com resistência, face à redução da competitividade das bactérias susceptíveis ao medicamento (progressivamente destruídas pelo antibiótico), irão então proliferar (ou seja, devido à diminuição da "concorrência" será mais fácil para estas crescerem).
  • Assim, quando confrontadas com um antibiótico, as bactérias mais resistentes de um grupo irão inevitavelmente derrotar todas as outras e tornarem-se a maioria.
  • Quando as bactérias resistentes emergem em indivíduos tratados, estes micróbios, tais como outras bactérias, espalham-se prontamente para o meio envolvente e para novos hospedeiros. Todos nós, todos os dias, horas, minutos, segundos, "trocamos" constantemente bactérias com o meio que nos envolve e com as pessoas que convivem connosco. Ou seja, a simples convivência com alguém possuidor de bactérias resistentes aumenta o risco de as obtermos também.

Promover resistências em patogénicos conhecidos não é a única actividade auto-derrotista dos antibióticos. Quando os medicamentos atacam as bactérias responsáveis pela doença também atacam todas as outras que atravessarem o seu caminho, mesmo as necessárias ao correcto funcionamento do nosso organismo.


Um antibiótico não faz distinção entre bactérias "boas" e "más".


Conselhos


Lembre-se destas sugestões:

  • Cabe ao seu médico decidir se você precisa de um antibiótico, e nesse caso, qual deles.
  • Não insista pedindo a prescrição de um antibiótico se tem uma infecção viral, como uma constipação ou gripe. Pergunte antes maneiras de aliviar os seus sintomas.
  • Não pare de tomar o antibiótico antes de terminar a sua prescrição, mesmo que se sinta melhor (as bactérias podem sobreviver e reinfectar).
  • Siga as instruções do seu médico cuidadosamente. Tome as doses à hora programada no número de dias indicado (isto é necessário para criar uma concentração suficiente de antibiótico no sangue capaz de causar dano às bactérias).
  • Diga ao seu médico se está a tomar outras medicamentos (ex: anticoncepcionais, o efeito destes pode diminuir se tomar ao mesmo tempo alguns antibióticos).
  • Nunca partilhe a sua medicação com alguém. Caso lhe sobre algum medicamento entregue-o na sua farmácia.
  • Assim como com todos os outros medicamentos, mantenha os antibióticos fora do alcance de crianças.